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O MECANISMO DE ADOECIMENTO E SUAS DINÂMICAS

O QUE NOS ADOECE

Nosso poderoso subconsciente aprende uma série de informações ao longo da vida, as crenças. As mais marcantes, adquiridas na infância, são guardadas, como um modelo, para nossos próximos aprendizados. Através desse modelo, ficamos limitados, ao aprender algo novo, devido ao medo de 'despertencer' ao meio que vivemos, perder o amor e a admiração daqueles que nos cerca. Essas crenças aprendidas desde a infância e com as experiências de toda uma vida, vão se consolidando e validando, criando um espaço de segurança e certeza ao qual nos apegamos e não nos sentimos confortáveis em abandonar. Todo esse modelo, com o tempo acaba gerando conflitos entre o 'querer' e o 'não poder'. O que se torna errado, proibido ou ainda sufocado por questões de falsos princípios, tendem a criar um ponto de tensão, nos tornando eternos insatisfeitos. Esses sentimentos se refletem no nosso corpo interna e externamente e se transformam em sinais de alerta. Esses sinais nada mais são que os sintomas de adoecimento. Todo sintoma esconde uma verdade por detrás que nada mais é do que um sentimento mal resolvido: uma vontade ou um desejo não realizado, que teria uma importância significativa para alguns de nossos processos de crescimento pessoal, que foi ignorado.

Não aceitar as coisas como são, eventos, pessoas, acontecimentos, é um outro ponto preponderante no adoecimento do ser humano. Quando estamos mais preocupados em impor nossas verdades de forma soberana, ao invés de ter um olhar crítico sobre as circunstâncias, a fim de aprender com elas, reconhecer nossa participação e aceitar que não podemos controlar tudo a nosso redor, nos tornamos vítimas de uma dor, que pode vir a se tornar uma grande cicatriz em nossa caminhada. O controle adoece, pois quem está preso nessa dinâmica encara qualquer tipo de contariedade como uma perda dolorosa. É importante vencer o tempo todo. Nesse processo também criamos mecanismos de defesa onde o corpo irá responder com alertas através de sintomas de doenças. A vulnerabilidade em reconhecer falhas, inabilidades e perdas é uma oportunidade não só de amadurecer, como tornar mais leve o que não podemos controlar e aquilo que não depende de nós para continuar.

Não saber impor limites oi aprender a dizer 'não', também é um caminho para o adoecimento. Essa conduta gera insatisfação, frustração, anulação e sensação de inferioridade e insignificância. Esses sentimentos também irão se internalizar e gerar sintomas que se manifestam através do corpo, como alertas, em forma de adoecimento.

CORPO E MENTE EM PARCERIA

Sim, o corpo e a mente são partes interconectadas e interdependentes de nosso ser, e trabalham juntos em harmonia para influenciar nossa saúde física, mental e emocional. Essa conexão íntima é frequentemente referida como a "mente-corpo" ou "mente-corpo-espírito".

Aqui estão algumas maneiras pelas quais o corpo e a mente trabalham em conjunto:

1. Resposta ao estresse: Quando enfrentamos situações estressantes, nosso corpo libera hormônios do estresse, como o cortisol, que podem afetar nosso estado emocional e mental. Da mesma forma, altos níveis de estresse mental podem ter um impacto negativo em nossa saúde física, levando a problemas como tensão muscular, dores de cabeça e problemas gastrointestinais.

2. Saúde física e mental: Existe uma relação recíproca entre a saúde física e mental. Uma boa saúde física pode ter um efeito positivo no bem-estar emocional, ajudando a reduzir a ansiedade e a depressão. Da mesma forma, a saúde mental adequada pode influenciar comportamentos e escolhas que afetam diretamente a saúde física.

3. Placebo e efeito nocebo: O efeito placebo é um fenômeno em que uma pessoa experimenta melhora nos sintomas, mesmo após receber um tratamento inativo (como um comprimido de açúcar) simplesmente porque acredita que está recebendo um tratamento real. Por outro lado, o efeito nocebo ocorre quando a expectativa negativa da pessoa sobre um tratamento resulta em piora dos sintomas, mesmo que o tratamento seja inativo. Esses fenômenos demonstram como a mente pode influenciar a resposta do corpo aos estímulos.

4. Estilo de vida e saúde mental: Nossas escolhas de estilo de vida, como dieta, exercícios, sono e práticas de autocuidado, têm um impacto direto na saúde mental. Por exemplo, a prática regular de atividades físicas pode ajudar a reduzir o estresse e melhorar o humor, enquanto uma dieta equilibrada pode fornecer nutrientes importantes para o funcionamento adequado do cérebro.

5. Expressão emocional no corpo: As emoções que experimentamos têm uma manifestação física em nosso corpo. Por exemplo, quando estamos ansiosos, podemos sentir borboletas no estômago ou tensão nos ombros. Da mesma forma, a prática de técnicas de relaxamento, como a meditação, pode ajudar a acalmar a mente e relaxar o corpo.

Em suma, compreender a conexão entre corpo e mente é fundamental para promover um bem-estar abrangente. O cuidado adequado com ambos os aspectos é essencial para uma vida saudável e equilibrada. A adoção de hábitos saudáveis, o gerenciamento do estresse e a atenção à saúde mental são aspectos importantes a serem considerados para uma abordagem holística da saúde.

BIOENERGÉTICA

As teorias de Wilhelm Reich sobre traços de caráter estão intimamente relacionadas à ideia de que os aspectos emocionais e psicológicos influenciam a estrutura física do corpo. Segundo Reich, experiências emocionais, especialmente durante a infância, moldam a personalidade e também podem deixar marcas no corpo, refletindo-se no formato corporal.

O corpo se revela em todas as suas manifestações: por meio da postura, gestos, tônus muscular, atitudes de interação, domínio do espaço, fala. A ciência afirma que ele guarda a explicação do funcionamento da mente. A constituição física e suas características externas definiriam, portanto, a performance da psique das pessoas. Em 1933, o austríaco Wilhelm Reich, médico, psicanalista e um dos discípulos de Sigmund Freud, publicou pela primeira vez os resultados de suas pesquisas dentro da psicanálise no livro Análise do caráter.

Esses traços são previamente esculpidos pelo sistema nervoso e correspondem às imagens de quem a pessoa é, e de como o seu corpo se parece. Portanto, aquilo que o indivíduo acredita que ele é torna-se uma imagem retida no sistema nervoso e que mais tarde se expressará no corpo, por meio da ação. Logo, os traços de caráter são exatamente os papéis que o indivíduo aprende a assumir desde criança e permanecem, em sua maior parte, na vida adulta. A teoria bioenergética oportuniza o sujeito a um alinhamento e restauração do corpo e da mente, buscando sempre recuperar a capacidade que todos temos de sentir e expressar as emoções. Essa é a chance de fazer as pazes entre a mente e o corpo e acessar a produção de sintomas físicos.

Todas as experiências vividas, o impacto das relações da primeira infância e os traumas físicos e emocionais são armazenados e contidos no corpo na forma de padrões de tensão muscular crônica. Freud acreditava que situações traumáticas e conflitos vividos durante a infância permaneciam inconscientes e conduziam as pessoas a viver uma vida insatisfatória. Após decorrer por alguns métodos de trabalho, Freud se convenceu de que o mais eficaz seria a associação livre de ideias. Ou seja, o paciente falava tudo que lhe vinha à mente e também a interpretação dessas ideias por parte do analista. Essa é uma maneira de acessar o inconsciente, que sempre será feita de forma indireta. A observação da expressão e forma física é mais uma maneira de revelar o inconsciente. Também uma ferramenta de promoção de saúde tanto psíquica quanto emocional.

Os cinco traços de caráter - por Wilhelm Reich
1 - Esquizoide
Impressão geral de desengonçado. São pessoas magras, longilíneas, com a energia do corpo centrada na cabeça, racionalizam sentimentos, optam na dor pelo isolamento. Exigem respeito pelo seu jeito racional de ser, necessitam de um nível lógico de comunicação, são cerebrais e racionais.

2 - Oral
Impressão geral de fraco e precisando de apoio. São pessoas “arredondadas”, que carregam uma falta, um vazio, uma sensação de abandono. Querem sensibilidade e afeto nos contatos. São emotivas, choram fácil, querem um “ouvido” que as escute para que elas possam falar (sem parar), ou comida por perto, para que possam preencher esse vazio comendo (sem parar).
3 - Masoquista
Impressão geral de atarracado, carregando um grande peso. São pessoas de composição quadrada, com aparência forte, atarracadas. Exigem segurança para si. Entendem os outros, com extrema empatia. A ponto de trazer para si o problema e o erro do outro, se responsabilizando por tudo. Não dividem nem delegam. Guardam tudo dentro de si. São desconfiadas, demoram para formar vínculo e partilhar seus problemas. Não aceitam traições.

4 - Rígido
Impressão geral de prontidão e agressividade. Pessoas que aparentam muita energia, força e disposição física por todo o corpo. São belos, com curvas nos lugares certos, com forte capital estético, músculos rígidos. Exigem perfeição de si, do outro e da vida. Nada é bom o suficiente para eles. São a figura da exigência e da busca da perfeição. Vivem “relações triangulares”, competitivos ao extremo, estão sempre buscando um adversário à altura.
5 - Psicopático (psicopata)
Impressão geral, no homem, de orgulho, raiva e, às vezes, ameaçador. Na mulher, de infantilidade, meninice de extrema sensualidade. Pessoas com formato de corpo triangular, o corpo superior é inflado, com ombros largos, tensos e quadris estreitos, enquanto o corpo inferior é fraco e não aterrado. Esperam resultados, são articuladoras, a vida para eles é um “balcão” de negócios, sempre atentas aos lucros e ganhos. São envolventes, sedutoras e manipuladoras. Estão atentos a barganhas, trocas, compensações.

PSICOSSOMÁTICA

Psicossomática é uma área da medicina e da psicologia que estuda a relação entre as condições emocionais e mentais de uma pessoa e sua saúde física. O termo "psicossomático" é uma junção de duas palavras gregas: "psyche" (mente) e "soma" (corpo). Assim, a psicossomática investiga como os aspectos emocionais, psicológicos e sociais podem afetar o funcionamento do corpo e contribuir para o desenvolvimento de doenças.

 A abordagem psicossomática considera que o corpo e a mente estão intimamente interligados, e que os fatores emocionais podem desencadear, agravar ou influenciar o curso de diversas doenças físicas. Por exemplo, estresse crônico, ansiedade, depressão e outros estados emocionais negativos podem ter impacto na imunidade, no sistema cardiovascular, no sistema digestivo, entre outros sistemas do corpo.

 Existem várias condições médicas onde os aspectos psicossomáticos podem desempenhar um papel importante, como úlceras, síndrome do intestino irritável, enxaquecas, eczema, asma, doenças autoimunes, entre outras. No entanto, é importante ressaltar que a psicossomática não sugere que todas as doenças são exclusivamente causadas por fatores psicológicos, mas sim que os aspectos emocionais podem ser um componente relevante em algumas condições de saúde.

 O tratamento psicossomático geralmente envolve uma abordagem multidisciplinar, com a colaboração de médicos, psicólogos e outros profissionais de saúde. A terapia pode incluir técnicas de relaxamento, aconselhamento psicológico, terapia cognitivo-comportamental, entre outros métodos, com o objetivo de melhorar o bem-estar emocional do paciente e, consequentemente, a sua saúde física. É fundamental enfatizar a importância de um diagnóstico médico adequado e do tratamento específico para qualquer condição de saúde, independentemente de sua possível relação com fatores emocionais.

Então , considerando que comportamento é um resultado direto de nosso desenvolvimento psicológico, podemos presumir de forma clara e óbvia que suas reações também podem se expressar através do corpo, não somente em forma de doenças, mas em forma de características físicas, como alergias dérmicas, acumulo de gordura, quedas capilares, paralisas e mau desempenho diversos, assimetrias corporais, etc.

EPIGENÉTICA

Epigenética é um campo da biologia que estuda as mudanças no funcionamento dos genes que não envolvem alterações na sequência de DNA. Em outras palavras, a epigenética refere-se a mudanças hereditárias ou reversíveis na expressão dos genes, sem que haja uma modificação na estrutura do DNA em si. 

Os genes em nosso DNA contêm informações que guiam o desenvolvimento e funcionamento de nosso organismo. No entanto, nem todos os genes são expressos o tempo todo, e a epigenética desempenha um papel fundamental nesse processo. Ela pode silenciar ou ativar genes, controlando quais genes são transcritos em proteínas e quais são mantidos inativos.

As principais marcas epigenéticas são as modificações químicas que ocorrem no DNA ou nas proteínas associadas a ele. Duas das modificações mais estudadas são a metilação do DNA e as modificações das histonas (proteínas que ajudam a compactar o DNA).

As mudanças epigenéticas podem ser influenciadas por fatores ambientais, dieta, estilo de vida e até mesmo experiências emocionais. Essas influências ambientais podem afetar a expressão dos genes e, em alguns casos, essas mudanças podem ser transmitidas para as gerações futuras, o que é conhecido como herança epigenética.​

A pesquisa em epigenética é de grande interesse em várias áreas, incluindo a medicina, pois as mudanças epigenéticas podem estar envolvidas no desenvolvimento de várias doenças, como câncer, doenças cardiovasculares e distúrbios neurológicos. Compreender melhor a epigenética pode abrir caminho para novas estratégias terapêuticas e intervenções médicas.

© 2018 por Dra. Mary Athayde. Criado com Wix.com

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